ele não me quer mais

Abri mão de um princípio de vida e, mesmo assim, ele não me quer mais

Pergunta: Esquecê-lo ou reconquistá-lo?

Vou contar minha história: há uns quatro anos, eu conheci esse cara num grupo de amigos. Ele era o namorado de uma amiga em comum, e ela o apresentou. Como estavam mesmo namorando sério, ele acabou fazendo parte da nossa turma e ia cada vez mais para as reuniões. E tornou-se nosso amigo. Acabou que, dentre todos, eu fui a que ficou mais próxima dele, mas apenas amizade mesmo, gostava de outra pessoa. Em um certo dia, a nossa amiga em comum terminou com ele e o mesmo ficou arrasado, muito magoado mesmo, era apaixonado por ela. Como eu era a mais próxima, era a que mais ouvia as lamúrias dele… E ele sempre foi meio depressivo, então isso cooperava para deixá-lo mesmo abatido. O tempo foi passando, eu ainda gostava de outra pessoa e ele ainda era apaixonado pela ex, sempre me dizia isto, e sempre o ouvia.

Nós éramos amigos mesmo, mais como amigos de fim de semana, só nos víamos nas reuniões do grupo.

Chegou uma vez que comecei a trabalhar aos fins de semana, então não pude mais frequentar nossas reuniões. No dia, ele ficou arrasado quando eu disse que não os veria mais, mas daí a gente acabou discutindo, sem motivo mesmo. Acho que apenas pela imaturidade da idade, tinha dezesseis/dezessete anos e ele uns quinze/dezesseis, e eu o odiei. Nunca mais nos falaríamos, foi o que achei.

Três anos depois, bem no início do ano, eu esbarrei com ele no ponto de ônibus, algo assim, ele me reconheceu e nos cumprimentamos, foi legal. Ele parecia o mesmo. Quando nos despedimos, eu o contatei pelo Facebook e passei meu número para ele, disse que tinha sido muito bom reencontrá-lo. E falei para ele me chamar no WhatsApp, quando pudesse. E ele ignorou.

Meses depois, no fim deste ano, meu celular vibrou no serviço e era ele me chamando no WhatsApp, dizendo que estava sem celular e por isto não o tinha entrado em contato antes. Fiquei tão sem reação que nem respondi, ele achou isto ruim e reclamou, porque viu que eu tinha visualizado. Respondi, então, me desculpando e explicando que estava trabalhando. Conversamos neste dia, mas não muito e nada de mais, acabamos sem assunto.

Uma semana depois, ele me chamou de novo, levei outro susto. Era feriado, e ele foi falar comigo. Acontece que nesta ocasião o assunto rendeu o dia todo e foi excelente conversar com ele. Ele me pediu em namoro, sem a gente nunca ter ficado, do nada, e eu achei que era brincadeira e desconversei. Depois no dia seguinte, ele tornou a pedir. Depois eu disse que gostava do nome dele, e ele disse que era para a gente se casar e o nosso filho se chamaria L. Jr. (não quero dizer o nome dele). E a partir daí a gente agia como se tivesse esse filho mesmo, e era um do outro.

Ele sempre me chamava quando estava triste, era sempre fofo e pessimista. Eu era o contrário, totalmente otimista. E foi por isso que, dois dias depois do primeiro pedido brincalhão de namoro, a gente começou a namorar, sem nunca ter dado sequer um beijo, sem nem se ver fora do WhatsApp. Só para ver no que ia dar e ele terminou comigo dois dias depois. Porque, segundo ele, eu era luz demais e ele trevas demais, ele ia acabar escurecendo meu dia antes que eu pudesse clarear o dele.

Eu ainda não estava apaixonada por ele, bem, achava que não, era confuso, então não fiquei realmente mal. Continuamos a conversar e ainda agíamos como se estivéssemos juntos, incapazes de “abortar” o L. Jr., que havíamos criado.

Foi quando algumas semanas depois, descobri que ele era ateu e eu era cristã demais. E sempre dizia que jamais estaria com alguém que não tivesse os mesmos princípios que eu. Pode soar absurdo, mas sempre foi assim, eu queria alguém que cresse e amasse o Senhor mais do que a mim, então disse que estava tudo terminado, mesmo que não tivéssemos nada um com o outro. Ele ficou chocado, falou do nosso “filho”, e eu disse que se ele era ateu, o L. Jr. seria apenas o nosso cachorro, nada além disto.

Continuamos amigos e a conversar como se nada tivesse mudado. E então, em um belo dia, fui me encontrar com uns amigos e lá estava ele, “trabalhando”! Nem acreditei, era como um “bico” de fim de semana que ele nunca faltava, e eu não fazia ideia de que o encontraria ali. Ele me reconheceu e me cumprimentou, eu o abracei e conversamos. No final, ele me levou até meu ponto de ônibus. Quando voltei neste mesmo lugar, na semana subsequente, ele estava de saída, mas fez questão de me achar para cumprimentar.

Ele acabou adoecendo, me ofereci para visitá-lo, mas acabou sendo melhor não. Ele melhorou uma semana depois, sempre falando comigo pelo WhatsApp, e do nada… Ele parou de falar. Achei super estranho o sumiço dele. Eu o “stalkeava” (vigiava) todos os dias no Facebook, perguntava se ele estava bem no WhatsApp e ele me dava respostas curtas, não alongava o assunto como antes.

Agora descobri o porquê, ele está namorando. Ele disse que é ainda um namoro não oficial, estão transando “apenas” e ele está curtindo muito, pelo visto. Eu fiquei arrasada, disse a ele isto, ele não entendeu, disse que me esperou por muito tempo e que jamais teria a mesma religião, então não servia para mim. Eu disse que estava sim, chateada, muito, mas que ia parar de embaçar a vida dele, que se ele estava feliz, eu podia lidar com isto. Mas sinceramente? Não posso. Eu percebo agora que quebraria a única regra que me sustentou esse tempo todo e estaria com ele mesmo se ele for “ateu”. Se isto implica em não termos o mesmo amor e a mesma crença pelo Divino. Eu estou muito mal, gosto mesmo dele, quero chorar. O que eu faço? Devo esquecê-lo ou lutar por ele enquanto ainda não está namorando oficialmente? Nós temos uma história, poxa… Segundo ele, eu era a parte boa dele no mundo, aquela que amava a todos e sorria para todos, que ajudava o próximo e fazia serviços voluntários, que se preocupava com ele e etc. E ele era a minha parte ruim, que dava um equilíbrio em tudo, que me fazia não confiar cegamente em tudo e em todos, que me fazia pensar mais em mim do que no outro, que não se importava tanto com as pessoas, para não me prejudicar demais… E ele absorvia o que eu tinha de tão bom, enquanto eu encontrava o equilíbrio no pessimismo dele.

Não sei o que fazer.

Lauriane, 20 anos.


Resposta: Querida leitora, a sua história mostra claramente quem tem feito mais um pelo o outro. Você abriu mão de seu princípio de vida, para poder ficar com ele. Enquanto o mesmo apenas te dispensou e mal lutou pelo seu amor. Sem contar que já arranjou outra pessoa, por mais que não seja algo sério.

Quando se é jovem, os sentimentos são mais intensos pela falta de experiência. A gente acaba fantasiando algo que não existe, coisas da vida mesmo. E o fato de você não terem uma convivência pessoal incide muito no desenvolvimento de uma relação. Pois, online a pessoa pode ser linda e maravilhosa e pessoalmente, com a convivência, pode não ser tudo isso que achávamos.

Obviamente você tem duas opções:

  1. Aceitar que ele não se esforçou tanto para te ter ao lado dele. E assim, tentar viver a vida. Saía, se divirta e interaja com pessoas. Quem sabe não acha um outro amor para curar este?
  2. Se esse sentimento estiver te sufocando, não vai adiantar nada você ficar guardando isso para si e ficar paranoica acompanhando todos os movimentos online dele. Vá à luta! Chame-o para sair e expresse tudo o que está sentindo. Que você está abrindo mão de um princípio para ficar com ele e isto é mais que uma prova de amor.

Não cabe a ninguém tomar as nossas decisões. Só a gente pode decidir as nossas escolhas. Porque a vida é assim mesmo, temos que aprender com os nossos erros e acertos. São essas coisas que nos fortalecem e acabam definindo o nosso jeito de ser.

 

Sou o conselheiro deste site, uma pessoa que enxerga que o amor é a base para uma vida feliz e o alicerce para todas as outras coisas darem certo. Já errei muito na vida amorosa e com os erros vieram os acertos. E por isso, espero poder compartilhar as minhas opiniões, experiências e visões de mundo com você. Para, de alguma forma, poder te ajudar.

comentários
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    Gente, sério, os dois, tanto o Conselheiro, quanto a Manuela aí em cima, muito obrigada! Sério, estou a ponto de chorar porque a verdade dói né? Nada de fato começou… eu levei a culpa de tudo sozinha esse tempo todo, mas a verdade é que não houve esforço dele de verdade. Esforço nenhum mesmo. Construímos o nosso “tudo”, que agora vejo com vocês, que era um “nada” na nossa cabeça e respiramos isso até que ele seguisse a vida dele.

    Sabe, não dá pra dizer que não tô sofrendo, que não machuca… Vocês sabem que dói… Toda desilução amorosa dói pra caramba, e eu achava bonitinha a nossa história, mesmo que agora eu perceba que nada havia terminado. De verdade? Chega de stalkeá-lo, chega de perseguir vestígios dele com a outra e que eu sei que vai me machucar… Amar pode ser doloroso, é verdade. Mas não vou morrer de amor, né… vou morrer um dia, de qualquer coisa, mas não será de amor.

    Do fundo do coração, obrigada a vocês dois!

    Estava de mãos atadas, agora sinto as correntes afrouxarem dos meus pulsos e me libertarem, deixando a marca, claro, mas essas cicatrizes vão parar de doer quando forem só isso: cicatrizes.

     
    18 de março de 2016
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      Lauriane, não há de quê, amadinha. E se pude ajudar em algo, era esse o objetivo e isso me alegra.
      Não se preocupe com cicatrizes. E se elas ficarem, que fiquem!… São como ‘marcas’, as ‘suas marcas’ de existência, ‘arquivos’ seus pessoais, do seu viver, linda, do seu Existir. E que bom! Como arquivos, sempre podem ser consultadas amanhã para direcioná-la na vida!
      Boa sorte sempre! Bora, linda! A vida te espera! <3

       
      19 de março de 2016
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    Você diz que quebrou um principio de vida para estar com o rapaz. Não seria necessário. Um par pode manter-se isento em questões de crença e conviver pacificamente. Afinal somos todos adultos e podemos sempre manter a nossa posição sem tanto questionar ou tentar modificar a alheia. E de todo modo não vi que ele tenha exigido nada disso de você, quebrar principios. Ele não parece ter dito ‘ou eu ou a sua crença.’
    De todo modo pergunto: ‘onde’ e sob quais condições (sob qual ‘nome’ de relacionamento) estiveram de verdade juntos afinal alguma vez?… Não, não vi isso. Vi apenas muitas conversas virtuais e alguns encontros ao acaso em locais não programados e para fins bem diferentes de uma interação afetiva.
    Perdoe, mas foi algo que sequer começou, na minha opinião. Tudo aí não saiu do terreno do palavreado.
    Embora isso, sei que podem ter criado um certo vinculo, especialmente você. Mas ele, bem… quando disse que cansou de esperá-la, apenas ‘virou a metralhadora’ para o seu lado para não explicar porquê não foi mais efetivo em procurar relacionar-se com você. Truque que os homens aprendem muuuuito rapidamente, muuuito mesmo, e que usam sem censura alguma para safarem-se de situações de confronto.
    No mais, quer saber? Ele é muito imaturo. Não tem (e nem quer ainda) estruturar-se para relacionamentos (ao menos sérios, como requereria desde já uma garota como você). E todo esse ‘existencialismo’ dele, tão comum nos mais jovens, não passa de pose. O Tempo se encarrega de esmaecer essas ‘cores berrantes’ de temperamento.
    Finalizando, procure alguém menos ‘neurinha’. E que seja mais maduro. Esse ‘pequeno gafanhoto’, amiguinha, está que nem secou direito as asas.

     
    18 de março de 2016

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